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Anjo

Salmos 51 ao 100


SALMO 51 (50) Prece de um coração contrito

1 Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.
2 Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado.
3 Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.
4 Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos; de sorte que és justificado em falares, e inculpável em julgares.
5 Eis que eu nasci em iniqüidade, e em pecado me concedeu minha mãe.
6 Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma.
7 Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve.
8 Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que se regozijem os ossos que esmagaste.
9 Esconde o teu rosto dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades.
10 Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito estável.
11 Não me lances fora da tua presença, e não retire de mim o teu santo Espírito.
12 Restitui-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário.
13 Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e pecadores se converterão a ti.
14 Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha língua cantará alegremente a tua justiça.
15 Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca proclamará o teu louvor.
16 Pois tu não te comprazes em sacrifícios; se eu te oferecesse holocaustos, tu não te deleitarias.
17 O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.
18 Faze o bem a Sião, segundo a tua boa vontade; edifica os muros de Jerusalém.
19 Então te agradarás de sacrifícios de justiça dos holocaustos e das ofertas queimadas; então serão oferecidos novilhos sobre o teu altar.

SALMO 52 (51) Prece na adversidade

1 Por que te glorias na malícia, ó homem poderoso? pois a bondade de Deus subsiste em todo o tempo.
2 A tua língua maquina planos de destruição, como uma navalha afiada, ó tu que usas de dolo.
3 Tu amas antes o mal do que o bem, e o mentir do que o falar a verdade.
4 Amas todas as palavras devoradoras, ó língua fraudulenta.
5 Também Deus te esmagará para sempre; arrebatar-te-á e arrancar-te-á da tua habitação, e desarraigar-te-á da terra dos viventes.
6 Os justos o verão e temerão; e se rirão dele, dizendo:
7 Eis aqui o homem que não tomou a Deus por sua fortaleza; antes confiava na abundância das suas riquezas, e se fortalecia na sua perversidade.
8 Mas eu sou qual oliveira verde na casa de Deus; confio na bondade de Deus para sempre e eternamente.
9 Para sempre te louvarei, porque tu isso fizeste, e proclamarei o teu nome, porque é bom diante de teus santos.


SALMO 53 (52) Oração em meio á corrupção geral

1 Diz o néscio no seu coração: Não há Deus. Corromperam-se e cometeram abominável iniqüidade; não há quem faça o bem.
2 Deus olha lá dos céus para os filhos dos homens, para ver se há algum que tenha entendimento, que busque a Deus.
3 Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um.
4 Acaso não têm conhecimento os que praticam a iniqüidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão, e não invocam a Deus?
5 Eis que eles se acham em grande pavor onde não há motivo de pavor, porque Deus espalhará os ossos daqueles que se acampam contra ti; tu os confundirás, porque Deus os rejeitou.
6 Oxalá que de Sião viesse a salvação de Israel! Quando Deus fizer voltar os cativos do seu povo, então se regozijará Jacó e se alegrará Israel.


SALMO 54 (53) Apelo para o socorro divino

1 Salva-me, ó Deus, pelo teu nome, e faze-me justiça pelo teu poder.
2 Ó Deus, ouve a minha oração, dá ouvidos às palavras da minha boca.
3 Porque homens insolentes se levantam contra mim, e violentos procuram a minha vida; eles não põem a Deus diante de si.
4 Eis que Deus é o meu ajudador; o Senhor é quem sustenta a minha vida.
5 Faze recair o mal sobre os meus inimigos; destrói-os por tua verdade.
6 De livre vontade te oferecerei sacrifícios; louvarei o teu nome, ó Senhor, porque é bom.
7 Porque tu me livraste de toda a angústia; e os meus olhos viram a ruína dos meus inimigos.


SALMO 55 (54) Prece do perseguido

1 Dá ouvidos, ó Deus, à minha oração, e não te escondas da minha súplica.
2 Atende-me, e ouve-me; agitado estou, e ando perplexo,
3 por causa do clamor do inimigo e da opressão do ímpio; pois lançam sobre mim iniqüidade, e com furor me perseguem.
4 O meu coração confrange-se dentro de mim, e terrores de morte sobre mim caíram.
5 Temor e tremor me sobrevêm, e o horror me envolveu.
6 Pelo que eu disse: Ah! quem me dera asas como de pomba! então voaria, e encontraria descanso.
7 Eis que eu fugiria para longe, e pernoitaria no deserto.
8 Apressar-me-ia a abrigar-me da fúria do vento e da tempestade.
9 Destrói, Senhor, confunde as suas línguas, pois vejo violência e contenda na cidade.
10 Dia e noite andam ao redor dela, sobre os seus muros; também iniqüidade e malícia estão no meio dela.
11 Há destruição lá dentro; opressão e fraude não se apartam das suas ruas.
12 Pois não é um inimigo que me afronta, então eu poderia suportá-lo; nem é um adversário que se exalta contra mim, porque dele poderia esconder-me;
13 mas és tu, homem meu igual, meu companheiro e meu amigo íntimo.
14 Conservávamos juntos tranqüilamente, e em companhia andávamos na casa de Deus.
15 A morte os assalte, e vivos desçam ao Seol; porque há maldade na sua morada, no seu próprio íntimo.
16 Mas eu invocarei a Deus, e o Senhor me salvará.
17 De tarde, de manhã e ao meio-dia me queixarei e me lamentarei; e ele ouvirá a minha voz.
18 Livrará em paz a minha vida, de modo que ninguém se aproxime de mim; pois há muitos que contendem contra mim.
19 Deus ouvirá; e lhes responderá aquele que está entronizado desde a Antigüidade; porque não há neles nenhuma mudança, e tampouco temem a Deus.
20 Aquele meu companheiro estendeu a sua mão contra os que tinham paz com ele; violou o seu pacto.
21 A sua fala era macia como manteiga, mas no seu coração havia guerra; as suas palavras eram mais brandas do que o azeite, todavia eram espadas desembainhadas.
22 Lança o teu fardo sobre o Senhor, e ele te susterá; nunca permitirá que o justo seja abalado.
23 Mas tu, ó Deus, os farás descer ao poço da perdição; homens de sangue e de traição não viverão metade dos seus dias; mas eu em ti confiarei.


SALMO 56 (55) Confiança em Deus na angústia

1 Compadece-te de mim, ó Deus, pois homens me calcam aos pés e, pelejando, me afligem o dia todo.
2 Os meus inimigos me calcam aos pés o dia todo, pois são muitos os que insolentemente pelejam contra mim.
3 No dia em que eu temer, hei de confiar em ti.
4 Em Deus, cuja palavra eu louvo, em Deus ponho a minha confiança e não terei medo;
5 Todos os dias torcem as minhas palavras; todos os seus pensamentos são contra mim para o mal.
6 Ajuntam-se, escondem-se, espiam os meus passos, como que aguardando a minha morte.
7 Escaparão eles por meio da sua iniqüidade? Ó Deus, derruba os povos na tua ira!
8 Tu contaste as minhas aflições; põe as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas no teu livro?
9 No dia em que eu te invocar retrocederão os meus inimigos; isto eu sei, que Deus está comigo.
10 Em Deus, cuja palavra eu louvo, no Senhor, cuja palavra eu louvo,
11 em Deus ponho a minha confiança, e não terei medo; que me pode fazer o homem?
12 Sobre mim estão os votos que te fiz, ó Deus; eu te oferecerei ações de graças;
13 pois tu livraste a minha alma da morte. Não livraste também os meus pés de tropeçarem, para que eu ande diante de Deus na luz da vida?


SALMO 57 (56) Refúgio em Deus

1 Compadece-te de mim, ó Deus, compadece-te de mim, pois em ti se refugia a minha alma; à sombra das tuas asas me refugiarei, até que passem as calamidades.
2 Clamarei ao Deus altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa.
3 Ele do céu enviará seu auxílio , e me salvará, quando me ultrajar aquele que quer calçar-me aos pés. Deus enviará a sua misericórdia e a sua verdade.
4 Estou deitado no meio de leões; tenho que deitar-me no meio daqueles que respiram chamas, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e flechas, e cuja língua é espada afiada.
5 Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; seja a tua glória sobre toda a terra.
6 Armaram um laço para os meus passos, a minha alma ficou abatida; cavaram uma cova diante de mim, mas foram eles que nela caíram.
7 Resoluto está o meu coração, ó Deus, resoluto está o meu coração; cantarei, sim, cantarei louvores.
8 Desperta, minha alma; despertai, alaúde e harpa; eu mesmo despertarei a aurora.
9 Louvar-te-ei, Senhor, entre os povos; cantar-te-ei louvores entre as nações.
10 Pois a tua benignidade é grande até os céus, e a tua verdade até as nuvens.
11 Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e seja a tua glória sobre a terra.


SALMO 58 (57) Acusação contra os maus juízes

1 Falais deveras o que é reto, vós os poderosos? Julgais retamente, ó filhos dos homens?
2 Não, antes no coração forjais iniqüidade; sobre a terra fazeis pesar a violência das vossas mãos.
3 Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras.
4 Têm veneno semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que tapa os seus ouvidos,
5 de sorte que não ouve a voz dos encantadores, nem mesmo do encantador perito em encantamento.
6 Ó Deus, quebra-lhes os dentes na sua boca; arranca, Senhor, os caninos aos filhos dos leões.
7 Sumam-se como águas que se escoam; sejam pisados e murcham como a relva macia.
8 Sejam como a lesma que se derrete e se vai; como o aborto de mulher, que nunca viu o sol.
9 Que ele arrebate os espinheiros antes que cheguem a aquecer as vossas panelas, assim os verdes, como os que estão ardendo.
10 O justo se alegrará quando vir a vingança; lavará os seus pés no sangue do ímpio.
11 Então dirão os homens: Deveras há uma recompensa para o justo; deveras há um Deus que julga na terra.


SALMO 59 (58) Defesa contra cruéis inimigos

1 Livra-me, Deus meu, dos meus inimigos; protege-me daqueles que se levantam contra mim.
2 Livra-me do que praticam a iniqüidade, e salva-me dos homens sanguinários.
3 Pois eis que armam ciladas à minha alma; os fortes se ajuntam contra mim, não por transgressão minha nem por pecado meu, ó Senhor.
4 Eles correm, e se preparam, sem culpa minha; desperta para me ajudares, e olha.
5 Tu, ó Senhor, Deus dos exércitos, Deus de Israel, desperta para punir todas as nações; não tenhas misericórdia de nenhum dos pérfidos que praticam a iniqüidade.
6 Eles voltam à tarde, uivam como cães, e andam rodeando a cidade.
7 Eis que eles soltam gritos; espadas estão nos seus lábios; porque (pensam eles), quem ouve?
8 Mas tu, Senhor, te rirás deles; zombarás de todas as nações.
9 Em ti, força minha, esperarei; pois Deus é o meu alto refúgio.
10 O meu Deus com a sua benignidade virá ao meu encontro; Deus me fará ver o meu desejo sobre os meus inimigos.
11 Não os mates, para que meu povo não se esqueça; espalha-os pelo teu poder, e abate-os ó Senhor, escudo nosso.
12 Pelo pecado da sua boca e pelas palavras dos seus lábios fiquem presos na sua soberba. Pelas maldições e pelas mentiras que proferem,
13 consome-os na tua indignação; consome-os, de modo que não existem mais; para que saibam que Deus reina sobre Jacó, até os confins da terra.
14 Eles tornam a vir à tarde, uivam como cães, e andam rodeando a cidade;
15 vagueiam buscando o que comer, e resmungam se não se fartarem.
16 Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua benignidade, porquanto tens sido para mim uma fortaleza, e refúgio no dia da minha angústia.
17 A ti, ó força minha, cantarei louvores; porque Deus é a minha fortaleza, é o Deus que me mostra benignidade.


SALMO 60 (59) Prece após a derrota

1 Ó Deus, tu nos rejeitaste, tu nos esmagaste, tu tens estado indignado; oh, restabelece-nos.
2 Abalaste a terra, e a fendeste; sara as suas fendas, pois ela treme.
3 Ao teu povo fizeste ver duras coisas; fizeste-nos beber o vinho de aturdimento.
4 Deste um estandarte aos que te temem, para o qual possam fugir de diante do arco.
5 Para que os teus amados sejam livres, salva-nos com a tua destra, e responde-nos.
6 Deus falou na sua santidade: Eu exultarei; repartirei Siquém e medirei o vale de Sucote.
7 Meu é Gileade, e meu é Manassés; Efraim é o meu capacete; Judá é o meu cetro.
8 Moabe é a minha bacia de lavar; sobre Edom lançarei o meu sapato; sobre a Filístia darei o brado de vitória.
9 Quem me conduzirá à cidade forte? Quem me guiará até Edom?
10 Não nos rejeitaste, ó Deus? e tu, ó Deus, não deixaste de sair com os nossos exércitos?
11 Dá-nos auxílio contra o adversário, pois vão é o socorro da parte do homem.
12 Em Deus faremos proezas; porque é ele quem calcará aos pés os nossos inimigos.


SALMO 61 (60) Prece de um exilado

1 Ouve, ó Deus, o meu clamor; atende à minha oração.
2 Desde a extremidade da terra clamo a ti, estando abatido o meu coração; leva-me para a rocha que é mais alta do que eu.
3 Pois tu és o meu refúgio, uma torre forte contra o inimigo.
4 Deixa-me habitar no teu tabernáculo para sempre; dá que me abrigue no esconderijo das tuas asas.
5 Pois tu, ó Deus, ouviste os meus votos; deste-me a herança dos que temem o teu nome.
6 Prolongarás os dias do rei; e os seus anos serão como muitas gerações.
7 Ele permanecerá no trono diante de Deus para sempre; faze que a benignidade e a fidelidade o preservem.
8 Assim cantarei louvores ao teu nome perpetuamente, para pagar os meus votos de dia em dia.


SALMO 62 (61) Exortação á confiança

1 Somente em Deus espera silenciosa a minha alma; dele vem a minha salvação.
2 Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é ele a minha fortaleza; não serei grandemente abalado.
3 Até quando acometereis um homem, todos vós, para o derrubardes, como a um muro pendido, uma cerca prestes a cair?
4 Eles somente consultam como derrubá-lo da sua alta posição; deleitam-se em mentiras; com a boca bendizem, mas no íntimo maldizem.
5 Ó minha alma, espera silenciosa somente em Deus, porque dele vem a minha esperança.
6 Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha fortaleza; não serei abalado.
7 Em Deus está a minha salvação e a minha glória; Deus é o meu forte rochedo e o meu refúgio.
8 Confiai nele, ó povo, em todo o tempo; derramai perante ele o vosso coração; Deus é o nosso refúgio.
9 Certamente que os filhos de Adão são vaidade, e os filhos dos homens são desilusão; postos na balança, subiriam; todos juntos são mais leves do que um sopro.
10 Não confieis na opressão, nem vos vanglorieis na rapina; se as vossas riquezas aumentarem, não ponhais nelas o coração.
11 Uma vez falou Deus, duas vezes tenho ouvido isto: que o poder pertence a Deus.
12 A ti também, Senhor, pertence a benignidade; pois retribuis a cada um segundo a sua obra.


SALMO 63 (62) Anseio da alma por Deus

1 Ó Deus, tu és o meu Deus; ansiosamente te busco. A minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água.
2 Assim no santuário te contemplo, para ver o teu poder e a tua glória.
3 Porquanto a tua benignidade é melhor do que a vida, os meus lábios te louvarão.
4 Assim eu te bendirei enquanto viver; em teu nome levantarei as minhas mãos.
5 A minha alma se farta, como de tutano e de gordura; e a minha boca te louva com alegres lábios.
6 quando me lembro de ti no meu leito, e medito em ti nas vigílias da noite,
7 pois tu tens sido o meu auxílio; de júbilo canto à sombra das tuas asas.
8 A minha alma se apega a ti; a tua destra me sustenta.
9 Mas aqueles que procuram a minha vida para a destruírem, irão para as profundezas da terra.
10 Serão entregues ao poder da espada, servidão de pasto aos chacais.
11 Mas o rei se regozijará em Deus; todo o que por ele jura se gloriará, porque será tapada a boca aos que falam a mentira.


SALMO 64 (63) Prece por proteção contra caluniadores

1 Ouve, ó Deus, a minha voz na minha queixa; preserva a minha voz na minha queixa; preserva a minha vida do horror do inimigo.
2 Esconde-me do secreto conselho dos maus, e do ajuntamento dos que praticam a iniqüidade,
3 os quais afiaram a sua língua como espada, e armaram por suas flechas palavras amargas.
4 Para em lugares ocultos atirarem sobre o íntegro; disparam sobre ele repentinamente, e não temem.
5 Firmam-se em mau intento; falam de armar laços secretamente, e dizem: Quem nos verá?
6 Planejam iniqüidades; ocultam planos bem traçados; pois o íntimo e o coração do homem são inescrutáveis.
7 Mas Deus disparará sobre eles uma seta, e de repente ficarão feridos.
8 Assim serão levados a tropeçar, por causa das suas próprias línguas; todos aqueles que os virem fugirão.
9 E todos os homens temerão, e anunciarão a obra de Deus, e considerarão a obra de Deus, e considerarão prudentemente os seus feitos.
10 O justo se alegrará no Senhor e confiará nele, e todos os de coração reto cantarão louvores.


SALMO 65 (64) Ação de graça pela colheita

1 A ti, ó Deus, é devido o louvor em Sião; e a ti se pagará o voto.
2 Ó tu que ouves a oração! a ti virá toda a carne.
3 Prevalecem as iniqüidades contra mim; mas as nossas transgressões, tu as perdoarás.
4 Bem-aventurado aquele a quem tu escolhes, e fazes chegar a ti, para habitar em teus átrios! Nós seremos satisfeitos com a bondade da tua casa, do teu santo templo.
5 Com prodígios nos respondes em justiça, ó Deus da nossa salvação, a esperança de todas as extremidades da terra, e do mais remoto mar;
6 tu que pela tua força consolidas os montes, cingido de poder;
7 que aplacas o ruído dos mares, o ruído das suas ondas, e o tumulto dos povos.
8 Os que habitam os confins da terra são tomados de medo à vista dos teus sinais; tu fazes exultar de júbilo as saídas da manhã e da tarde.
9 Tu visitas a terra, e a regas; grandemente e enriqueces; o rio de Deus está cheio d'água; tu lhe dás o trigo quando assim a tens preparado;
10 enches d'água os seus sulcos, aplanando-lhes as leivas, amolecendo-a com a chuva, e abençoando as suas novidades.
11 Coroas o ano com a tua bondade, e as tuas veredas destilam gordura;
12 destilam sobre as pastagens do deserto, e os outeiros se cingem de alegria.
13 As pastagens revestem-se de rebanhos, e os vales se cobrem de trigo; por isso eles se regozijam, por isso eles cantam.


SALMO 66 (65) Ofertas de gratidão

1 Louvai a Deus com brados de júbilo, todas as terras.
2 Cantai a glória do seu nome, dai glória em seu louvor.
3 Dizei a Deus: Quão tremendas são as tuas obras! pela grandeza do teu poder te lisonjeiam os teus inimigos.
4 Toda a terra te adorará e te cantará louvores; eles cantarão o teu nome.
5 Vinde, e vede as obras de Deus; ele é tremendo nos seus feitos para com os filhos dos homens.
6 Converteu o mar em terra seca; passaram o rio a pé; ali nos alegramos nele.
7 Ele governa eternamente pelo seu poder; os seus olhos estão sobre as nações; não se exaltem os rebeldes.
8 Bendizei, povos, ao nosso Deus, e fazei ouvir a voz do seu louvor;
9 ao que nos conserva em vida, e não consente que resvalem os nossos pés.
10 Pois tu, ó Deus, nos tens provado; tens nos refinado como se refina a prata.
11 Fizeste-nos entrar no laço; pesada carga puseste sobre os nossos lombos.
12 Fizeste com que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças; passamos pelo fogo e pela água, mas nos trouxeste a um lugar de abundância.
13 Entregarei em tua casa com holocaustos; pagar-te-ei os meus votos,
14 votos que os meus lábios pronunciaram e a minha boca prometeu, quando eu estava na angústia.
15 Oferecer-te-ei holocausto de animais nédios, com incenso de carneiros; prepararei novilhos com cabritos.
16 Vinde, e ouvi, todos os que temeis a Deus, e eu contarei o que ele tem feito por mim.
17 A ele clamei com a minha boca, e ele foi exaltado pela minha língua.
18 Se eu tivesse guardado iniqüidade no meu coração, o Senhor não me teria ouvido;
19 mas, na verdade, Deus me ouviu; tem atendido à voz da minha oração.
20 Bendito seja Deus, que não rejeitou a minha oração, nem retirou de mim a sua benignidade.


SALMO 67 (66) Invocação da benção divina

1 Deus se compadeça de nós e nos abençoe, e faça resplandecer o seu rosto sobre nós,
2 para que se conheça na terra o seu caminho e entre todas as nações a sua salvação.
3 Louvem-te, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.
4 Alegrem-se e regozijem-se as nações, pois julgas os povos com eqüidade, e guias as nações sobre a terra.
5 Louvem-te, ó Deus, os povos; louvem os povos todos.
6 A terra tem produzido o seu fruto; e Deus, o nosso Deus, tem nos abençoado.
7 Deus nos tem abençoado; temam-no todas as extremidades da terra!


SALMO 68 (67) Epopéia triunfal de Israel

1 Levanta-se Deus! Sejam dispersos os seus inimigos; fujam de diante dele os que o odeiam!
2 Como é impelida a fumaça, assim tu os impeles; como a cera se derrete diante do fogo, assim pereçam os ímpios diante de Deus.
3 Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e se encham de júbilo.
4 Cantai a Deus, cantai louvores ao seu nome; louvai aquele que cavalga sobre as nuvens, pois o seu nome é Já; exultai diante dele.
5 Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus na sua santa morada.
6 Deus faz que o solitário viva em família; liberta os presos e os faz prosperar; mas os rebeldes habitam em terra árida.
7 Ó Deus! quando saías à frente do teu povo, quando caminhavas pelo deserto,
8 a terra se abalava e os céus gotejavam perante a face de Deus; o próprio Sinai tremeu na presença de Deus, do Deus de Israel.
9 Tu, ó Deus, mandaste copiosa chuva; restauraste a tua herança, quando estava cansada.
10 Nela habitava o teu rebanho; da tua bondade, ó Deus, proveste o pobre.
11 O Senhor proclama a palavra; grande é a companhia dos que anunciam as boas novas.
12 Reis de exércitos fogem, sim, fogem; as mulheres em casa repartem os despojos.
13 Deitados entre redis, sois como as asas da pomba cobertas de prata, com as suas penas de ouro amarelo.
14 Quando o Todo-Poderoso ali dispersou os reis, caiu neve em Zalmom.
15 Monte grandíssimo é o monte de Basã; monte de cimos numerosos é o monte de Basã!
16 Por que estás, ó monte de cimos numerosos, olhando com inveja o monte que Deus desejou para sua habitação? Na verdade o Senhor habitará nele eternamente.
17 Os carros de Deus são miríades, milhares de milhares. O Senhor está no meio deles, como em Sinai no santuário.
18 Tu subiste ao alto, levando os teus cativos; recebeste dons dentre os homens, e até dentre os rebeldes, para que o Senhor Deus habitasse entre eles.
19 Bendito seja o Senhor, que diariamente leva a nossa carga, o Deus que é a nossa salvação.
20 Deus é para nós um Deus de libertação; a Jeová, o Senhor, pertence o livramento da morte.
21 Mas Deus esmagará a cabeça de seus inimigos, o crânio cabeludo daquele que prossegue em suas culpas.
22 Disse o Senhor: Eu os farei voltar de Basã; fá-los-ei voltar das profundezas do mar;
23 para que mergulhes o teu pé em sangue, e para que a língua dos teus cães tenha dos inimigos o seu quinhão.
24 Viu-se, ó Deus, a tua entrada, a entrada do meu Deus, meu Rei, no santuário.
25 Iam na frente os cantores, atrás os tocadores de instrumentos, no meio as donzelas que tocavam adufes.
26 Bendizei a Deus nas congregações, ao Senhor, vós que sois da fonte de Israel.
27 Ali está Benjamim, o menor deles, na frente; os chefes de Judá com o seu ajuntamento; os chefes de Judá com o seu ajuntamento; os chefes de Zebulom e os chefes de Naftali.
28 Ordena, ó Deus, a tua força; confirma, ó Deus, o que já fizeste por nós.
29 Por amor do teu templo em Jerusalém, os reis te trarão presentes.
30 Repreende as feras dos caniçais, a multidão dos touros, com os bezerros dos povos. Calca aos pés as suas peças de prata; dissipa os povos que se deleitam na guerra.
31 Venham embaixadores do Egito; estenda a Etiópia ansiosamente as mãos para Deus.
32 Reinos da terra, cantai a Deus, cantai louvores ao Senhor,
33 àquele que vai montado sobre os céus dos céus, que são desde a Antigüidade; eis que faz ouvir a sua voz, voz veemente.
34 Atribuí a Deus força; sobre Israel está a sua excelência, e a sua força nos firmamento.
35 Ó Deus, tu és tremendo desde o teu santuário; o Deus de Israel, ele dá força e poder ao seu povo. Bendito seja Deus!


SALMO 69 (68) Lamento do justo sofredor

1 Salva-me, ó Deus, pois as águas me sobem até o pescoço.
2 Atolei-me em profundo lamaçal, onde não se pode firmar o pé; entrei na profundeza das águas, onde a corrente me submerge.
3 Estou cansado de clamar; secou-se-me a garganta; os meus olhos desfalecem de esperar por meu Deus.
4 Aqueles que me odeiam sem causa são mais do que os cabelos da minha cabeça; poderosos são aqueles que procuram destruir-me, que me atacam com mentiras; por isso tenho de restituir o que não extorqui.
5 Tu, ó Deus, bem conheces a minha estultícia, e as minhas culpas não são ocultas.
6 Não sejam envergonhados por minha causa aqueles que esperam em ti, ó Senhor Deus dos exércitos; não sejam confundidos por minha causa aqueles que te buscam, ó Deus de Israel.
7 Porque por amor de ti tenho suportado afrontas; a confusão me cobriu o rosto.
8 Tornei-me como um estranho para os meus irmãos, e um desconhecido para os filhos de minha mãe.
9 Pois o zelo da tua casa me devorou, e as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim.
10 Quando chorei e castiguei com jejum a minha alma, isto se me tornou em afrontas.
11 Quando me vesti de cilício, fiz-me para eles um provérbio.
12 Aqueles que se sentem à porta falam de mim; e sou objeto das cantigas dos bêbedos.
13 Eu, porém, faço a minha oração a ti, ó Senhor, em tempo aceitável; ouve-me, ó Deus, segundo a grandeza da tua benignidade, segundo a fidelidade da tua salvação.
14 Tira-me do lamaçal, e não me deixes afundar; seja eu salvo dos meus inimigos, e das profundezas das águas.
15 Não me submerja a corrente das águas e não me trague o abismo, nem cerre a cova a sua boca sobre mim.
16 Ouve-me, Senhor, pois grande é a tua benignidade; volta-te para mim segundo a tua muitíssima compaixão.
17 Não escondas o teu rosto do teu servo; ouve-me depressa, pois estou angustiado.
18 Aproxima-te da minha alma, e redime-a; resgata-me por causa dos meus inimigos.
19 Tu conheces o meu opróbrio, a minha vergonha, e a minha ignomínia; diante de ti estão todos os meus adversários.
20 Afrontas quebrantaram-me o coração, e estou debilitado. Esperei por alguém que tivesse compaixão, mas não houve nenhum; e por consoladores, mas não os achei.
21 Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre.
22 Torne-se a sua mesa diante deles em laço, e sejam-lhes as suas ofertas pacíficas uma armadilha.
23 Obscureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam, e faze com que os seus lombos tremam constantemente.
24 Derrama sobre eles a tua indignação, e apanhe-os o ardor da tua ira.
25 Fique desolada a sua habitação, e não haja quem habite nas suas tendas.
26 Pois perseguem a quem afligiste, e aumentam a dor daqueles a quem feriste.
27 Acrescenta iniqüidade à iniqüidade deles, e não encontrem eles absolvição na tua justiça.
28 Sejam riscados do livro da vida, e não sejam inscritos com os justos.
29 Eu, porém, estou aflito e triste; a tua salvação, ó Deus, me ponha num alto retiro.
30 Louvarei o nome de Deus com um cântico, e engrandecê-lo-ei com ação de graças.
31 Isto será mais agradável ao Senhor do que um boi, ou um novilho que tem pontas e unhas.
32 Vejam isto os mansos, e se alegrem; vós que buscais a Deus reviva o vosso coração.
33 Porque o Senhor ouve os necessitados, e não despreza os seus, embora sejam prisioneiros.
34 Louvem-no os céus e a terra, os mares e tudo quanto neles se move.
35 Porque Deus salvará a Sião, e edificará as cidades de Judá, e ali habitarão os seus servos e a possuirão.
36 E herdá-la-á a descendência de seus servos, e os que amam o seu nome habitarão nela.


SALMO 70 (69) Pedido de auxilio - Para que tudo saia bem nas cirurgias, para ter saúde, vida longa, esquecer um desgosto.

1 Apressa-te, ó Deus, em me livrar; Senhor, apressa-te em socorrer-me.
2 Fiquem envergonhados e confundidos os que procuram tirar-me a vida; tornem atrás e confundam-se os que me desejam o mal.
3 Sejam cobertos de vergonha os que dizem: Ah! Ah!
4 Folguem e alegrem-se em ti todos os que te buscam; e aqueles que amam a tua salvação digam continuamente: engrandecido seja Deus.
5 Eu, porém, estou aflito e necessitado; apressa-te em me valer, ó Deus. Tu és o meu amparo e o meu libertador; Senhor, não te detenhas.


SALMO 71 (70) Súplica do ancião

1 Em ti, Senhor, me refugio; nunca seja eu confundido.
2 Na tua justiça socorre-me e livra-me; inclina os teus ouvidos para mim, e salva-me.
3 Sê tu para mim uma rocha de refúgio a que sempre me acolha; deste ordem para que eu seja salvo, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza.
4 Livra-me, Deus meu, da mão do ímpio, do poder do homem injusto e cruel,
5 Pois tu és a minha esperança, Senhor Deus; tu és a minha confiança desde a minha mocidade.
6 Em ti me tenho apoiado desde que nasci; tu és aquele que me tiraste das entranhas de minha mãe. O meu louvor será teu constantemente.
7 Sou para muitos um assombro, mas tu és o meu refúgio forte.
8 A minha boca se enche do teu louvor e da tua glória continuamente.
9 Não me enjeites no tempo da velhice; não me desampares, quando se forem acabando as minhas forças.
10 Porque os meus inimigos falam de mim, e os que espreitam a minha vida consultam juntos,
11 dizendo: Deus o desamparou; persegui-o e prendei-o, pois não há quem o livre.
12 Ó Deus, não te alongues de mim; meu Deus, apressa-te em socorrer-me.
13 Sejam envergonhados e consumidos os meus adversários; cubram-se de opróbrio e de confusão aqueles que procuram o meu mal.
14 Mas eu esperarei continuamente, e te louvarei cada vez mais.
15 A minha boca falará da tua justiça e da tua salvação todo o dia, posto que não conheça a sua grandeza.
16 Virei na força do Senhor Deus; farei menção da tua justiça, da tua tão somente.
17 Ensinaste-me, ó Deus, desde a minha mocidade; e até aqui tenho anunciado as tuas maravilhas.
18 Agora, quando estou velho e de cabelos brancos, não me desampares, ó Deus, até que tenha anunciado a tua força a esta geração, e o teu poder a todos os vindouros.
19 A tua justiça, ó Deus, atinge os altos céus; tu tens feito grandes coisas; ó Deus, quem é semelhante a ti?
20 Tu, que me fizeste ver muitas e penosas tribulações, de novo me restituirás a vida, e de novo me tirarás dos abismos da terra.
21 Aumentarás a minha grandeza, e de novo me consolarás.
22 Também eu te louvarei ao som do saltério, pela tua fidelidade, ó meu Deus; cantar-te-ei ao som da harpa, ó Santo de Israel.
23 Os meus lábios exultarão quando eu cantar os teus louvores, assim como a minha alma, que tu remiste.
24 Também a minha língua falará da tua justiça o dia todo; pois estão envergonhados e confundidos aqueles que procuram o meu mal.


SALMO 72 (71) O reino messiânico

1 Ó Deus, dá ao rei os teus juízes, e a tua justiça ao filho do rei.
2 Julgue ele o teu povo com justiça, e os teus pobres com eqüidade.
3 Que os montes tragam paz ao povo, como também os outeiros, com justiça.
4 Julgue ele os aflitos do povo, salve os filhos do necessitado, e esmague o opressor.
5 Viva ele enquanto existir o sol, e enquanto durar a lua, por todas as gerações.
6 Desça como a chuva sobre o prado, como os chuveiros que regam a terra.
7 Nos seus dias floresça a justiça, e haja abundância de paz enquanto durar a lua.
8 Domine de mar a mar, e desde o Rio até as extremidades da terra.
9 Inclinem-se diante dele os seus adversários, e os seus inimigos lambam o pó.
10 Paguem-lhe tributo os reis de Társis e das ilhas; os reis de Sabá e de Seba ofereçam-lhe dons.
11 Todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam.
12 Porque ele livra ao necessitado quando clama, como também ao aflito e ao que não tem quem o ajude.
13 Compadece-se do pobre e do necessitado, e a vida dos necessitados ele salva.
14 Ele os liberta da opressão e da violência, e precioso aos seus olhos é o sangue deles.
15 Viva, pois, ele; e se lhe dê do ouro de Sabá; e continuamente se faça por ele oração, e o bendigam em todo o tempo.
16 Haja abundância de trigo na terra sobre os cumes dos montes; ondule o seu fruto como o Líbano, e das cidades floresçam homens como a erva da terra.
17 Permaneça o seu nome eternamente; continue a sua fama enquanto o sol durar, e os homens sejam abençoados nele; todas as nações o chamem bem-aventurado.
18 Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel, o único que faz maravilhas.
19 Bendito seja para sempre o seu nome glorioso, e encha-se da sua glória toda a terra. Amém e amém.
20 Findam aqui as orações de Davi, filho de Jessé.


SALMO 73 (72) Oração de esperança

1 Verdadeiramente bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração.
2 Quanto a mim, os meus pés quase resvalaram; pouco faltou para que os meus passos escorregassem.
3 Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios.
4 Não há apertos na sua morte; o seu corpo é forte e sadio.
5 Não se acham em tribulações como outra gente, nem são afligidos como os demais homens.
6 Pelo que a soberba lhes cinge o pescoço como um colar; a violência os cobre como um vestido.
7 Os olhos deles estão inchados de gordura; trasbordam as fantasias do seu coração.
8 Motejam e falam maliciosamente; falam arrogantemente da opressão.
9 Põem a sua boca contra os céus, e a sua língua percorre a terra.
10 Pelo que o povo volta para eles e não acha neles falta alguma.
11 E dizem: Como o sabe Deus? e: Há conhecimento no Altíssimo?
12 Eis que estes são ímpios; sempre em segurança, aumentam as suas riquezas.
13 Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração e lavado as minhas mãos na inocência,
14 pois todo o dia tenho sido afligido, e castigado cada manhã.
15 Se eu tivesse dito: Também falarei assim; eis que me teria havido traiçoeiramente para com a geração de teus filhos.
16 Quando me esforçava para compreender isto, achei que era tarefa difícil para mim,
17 até que entrei no santuário de Deus; então percebi o fim deles.
18 Certamente tu os pões em lugares escorregadios, tu os lanças para a ruína.
19 Como caem na desolação num momento! ficam totalmente consumidos de terrores.
20 Como faz com um sonho o que acorda, assim, ó Senhor, quando acordares, desprezarás as suas fantasias.
21 Quando o meu espírito se amargurava, e sentia picadas no meu coração,
22 estava embrutecido, e nada sabia; era como animal diante de ti.
23 Todavia estou sempre contigo; tu me seguras a mão direita.
24 Tu me guias com o teu conselho, e depois me receberás em glória.
25 A quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti.
26 A minha carne e o meu coração desfalecem; do meu coração, porém, Deus é a fortaleza, e o meu quinhão para sempre.
27 Pois os que estão longe de ti perecerão; tu exterminas todos aqueles que se desviam de ti.
28 Mas para mim, bom é aproximar-me de Deus; ponho a minha confiança no Senhor Deus, para anunciar todas as suas obras.


SALMO 74 (73) Elegia sobre a ruína do templo

1 Ó Deus, por que nos rejeitaste para sempre? Por que se acende a tua ira contra o rebanho do teu pasto?
2 Lembra-te da tua congregação, que compraste desde a Antigüidade, que remiste para ser a tribo da tua herança, e do monte Sião, em que tens habitado.
3 Dirige os teus passos para as perpétuas ruínas, para todo o mal que o inimigo tem feito no santuário.
4 Os teus inimigos bramam no meio da tua assembléia; põem nela as suas insígnias por sinais.
5 A entrada superior cortaram com machados a grade de madeira.
6 Eis que toda obra entalhada, eles a despedaçaram a machados e martelos.
7 Lançaram fogo ao teu santuário; profanaram, derrubando-a até o chão, a morada do teu nome.
8 Disseram no seu coração: Despojemo-la duma vez. Queimaram todas as sinagogas de Deus na terra.
9 Não vemos mais as nossas insígnias, não há mais profeta; nem há entre nós alguém que saiba até quando isto durará.
10 Até quando, ó Deus, o adversário afrontará? O inimigo ultrajará o teu nome para sempre?
11 Por que reténs a tua mão, sim, a tua destra? Tira-a do teu seio, e consome-os.
12 Todavia, Deus é o meu Rei desde a Antigüidade, operando a salvação no meio da terra.
13 Tu dividiste o mar pela tua força; esmigalhaste a cabeça dos monstros marinhos sobre as águas.
14 Tu esmagaste as cabeças do leviatã, e o deste por mantimento aos habitantes do deserto.
15 Tu abriste fontes e ribeiros; tu secaste os rios perenes.
16 Teu é o dia e tua é a noite: tu preparaste a luz e o sol.
17 Tu estabeleceste todos os limites da terra; verão e inverno, tu os fizeste.
18 Lembra-te disto: que o inimigo te afrontou, ó Senhor, e que um povo insensato ultrajou o teu nome.
19 Não entregues às feras a alma da tua rola; não te esqueça para sempre da vida dos teus aflitos.
20 Atenta para o teu pacto, pois os lugares tenebrosos da terra estão cheios das moradas de violência.
21 Não volte envergonhado o oprimido; louvem o teu nome o aflito e o necessitado.
22 Levanta-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa; lembra-te da afronta que o insensato te faz continuamente.
23 Não te esqueças da gritaria dos teus adversários; o tumulto daqueles que se levantam contra ti sobe continuamente.


SALMO 75 (74) Deus, juiz dos povos

1 Damos-te graças, ó Deus, damos-te graças, pois o teu nome está perto; os que invocam o teu nome anunciam as tuas maravilhas.
2 Quando chegar o tempo determinado, julgarei retamente.
3 Dissolve-se a terra e todos os seus moradores, mas eu lhe fortaleci as colunas.
4 Digo eu aos arrogantes: Não sejais arrogantes; e aos ímpios: Não levanteis a fronte;


SALMO 76 (75) Canto de vitória

1 Conhecido é Deus em Judá, grande é o seu nome em Israel.
2 Em Salém está a sua tenda, e a sua morada em Sião.
3 Ali quebrou ele as flechas do arco, o escudo, a espada, e a guerra.
4 Glorioso és tu, mais majestoso do que os montes eternos.
5 Os ousados de coração foram despojados; dormiram o seu último sono; nenhum dos homens de força pôde usar as mãos.
6 À tua repreensão, ó Deus de Jacó, cavaleiros e cavalos ficaram estirados sem sentidos.
7 Tu, sim, tu és tremendo; e quem subsistirá à tua vista, quando te irares?
8 Desde o céu fizeste ouvir o teu juízo; a terra tremeu e se aquietou,
9 quando Deus se levantou para julgar, para salvar a todos os mansos da terra.
10 Na verdade a cólera do homem redundará em teu louvor, e do restante da cólera tu te cingirás.
11 Fazei votos, e pagai-os ao Senhor, vosso Deus; tragam presentes, os que estão em redor dele, àquele que deve ser temido.
12 Ele ceifará o espírito dos príncipes; é tremendo para com os reis da terra.


SALMO 77 (76) Saudades do passado

1 Levanto a Deus a minha voz; a Deus levanto a minha voz, para que ele me ouça.
2 No dia da minha angústia busco ao Senhor; de noite a minha mão fica estendida e não se cansa; a minha alma recusa ser consolada.
3 Lembro-me de Deus, e me lamento; queixo-me, e o meu espírito desfalece.
4 Conservas vigilantes os meus olhos; estou tão perturbado que não posso falar.
5 Considero os dias da Antigüidade, os anos dos tempos passados.
6 De noite lembro-me do meu cântico; consulto com o meu coração, e examino o meu espírito.
7 Rejeitará o Senhor para sempre e não tornará a ser favorável?
8 Cessou para sempre a sua benignidade? Acabou-se a sua promessa para todas as gerações
9 Esqueceu-se Deus de ser compassivo? Ou na sua ira encerrou ele as suas ternas misericórdias?
10 E eu digo: Isto é minha enfermidade; acaso se mudou a destra do Altíssimo?
11 Recordarei os feitos do Senhor; sim, me lembrarei das tuas maravilhas da Antigüidade.
12 Meditarei também em todas as tuas obras, e ponderarei os teus feitos poderosos
13 O teu caminho, ó Deus, é em santidade; que deus é grande como o nosso Deus?
14 Tu és o Deus que fazes maravilhas; tu tens feito notória a tua força entre os povos.
15 Com o teu braço remiste o teu povo, os filhos de Jacó e de José.
16 As águas te viram, ó Deus, as águas te viram, e tremeram; os abismos também se abalaram.
17 As nuvens desfizeram-se em água; os céus retumbaram; as tuas flechas também correram de uma para outra parte.
18 A voz do teu trovão estava no redemoinho; os relâmpagos alumiaram o mundo; a terra se abalou e tremeu.
19 Pelo mar foi teu caminho, e tuas veredas pelas grandes águas; e as tuas pegadas não foram conhecidas.
20 Guiaste o teu povo, como a um rebanho, pela mão de Moisés e de Arão.


SALMO 78 (77) História da ingratidão de Israel

1 Escutai o meu ensino, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca.
2 Abrirei a minha boca numa parábola; proporei enigmas da Antigüidade,
3 coisas que temos ouvido e sabido, e que nossos pais nos têm contado.
4 Não os encobriremos aos seus filhos, cantaremos às gerações vindouras os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que tem feito.
5 Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, as quais coisas ordenou aos nossos pais que as ensinassem a seus filhos;
6 para que as soubesse a geração vindoura, os filhos que houvesse de nascer, os quais se levantassem e as contassem a seus filhos,
7 a fim de que pusessem em Deus a sua esperança, e não se esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos;
8 e que não fossem como seus pais, geração contumaz e rebelde, geração de coração instável, cujo espírito não foi fiel para com Deus.
9 Os filhos de Efraim, armados de arcos, retrocederam no dia da peleja.
10 Não guardaram o pacto de Deus, e recusaram andar na sua lei;
11 esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes fizera ver.
12 Maravilhas fez ele à vista de seus pais na terra do Egito, no campo de Zoã.
13 Dividiu o mar, e os fez passar por ele; fez com que as águas parassem como um montão.
14 Também os guiou de dia por uma nuvem, e a noite toda por um clarão de fogo.
15 Fendeu rochas no deserto, e deu-lhes de beber abundantemente como de grandes abismos.
16 Da penha fez sair fontes, e fez correr águas como rios.
17 Todavia ainda prosseguiram em pecar contra ele, rebelando-se contra o Altíssimo no deserto.
18 E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo comida segundo o seu apetite.
19 Também falaram contra Deus, dizendo: Poderá Deus porventura preparar uma mesa no deserto? Acaso fornecerá carne para o seu povo?
20 Pelo que o Senhor, quando os ouviu, se indignou; e acendeu um fogo contra Jacó, e a sua ira subiu contra Israel;
21 Pelo que o Senhor, quando os ouviu, se indignou; e acendeu um fogo contra Jacó, e a sua ira subiu contra Israel;
22 porque não creram em Deus nem confiaram na sua salvação.
23 Contudo ele ordenou às nuvens lá em cima, e abriu as portas dos céus;
24 fez chover sobre eles maná para comerem, e deu-lhes do trigo dos céus.
25 Cada um comeu o pão dos poderosos; ele lhes mandou comida em abundância.
26 Fez soprar nos céus o vento do oriente, e pelo seu poder trouxe o vento sul.
27 Sobre eles fez também chover carne como poeira, e aves de asas como a areia do mar;
28 e as fez cair no meio do arraial deles, ao redor de suas habitações.
29 Então comeram e se fartaram bem, pois ele lhes trouxe o que cobiçavam.
30 Não refrearam a sua cobiça. Ainda lhes estava a comida na boca,
31 quando a ira de Deus se levantou contra eles, e matou os mais fortes deles, e prostrou os escolhidos de Israel.
32 Com tudo isso ainda pecaram, e não creram nas suas maravilhas.
33 Pelo que consumiu os seus dias como um sopro, e os seus anos em repentino terror.
34 Quando ele os fazia morrer, então o procuravam; arrependiam-se, e de madrugada buscavam a Deus.
35 Lembravam-se de que Deus era a sua rocha, e o Deus Altíssimo o seu Redentor.
36 Todavia lisonjeavam-no com a boca, e com a língua lhe mentiam.
37 Pois o coração deles não era constante para com ele, nem foram eles fiéis ao seu pacto.
38 Mas ele, sendo compassivo, perdoou a sua iniqüidade, e não os destruiu; antes muitas vezes desviou deles a sua cólera, e não acendeu todo o seu furor.
39 Porque se lembrou de que eram carne, um vento que passa e não volta.
40 Quantas vezes se rebelaram contra ele no deserto, e o ofenderam no ermo!
41 Voltaram atrás, e tentaram a Deus; e provocaram o Santo de Israel.
42 Não se lembraram do seu poder, nem do dia em que os remiu do adversário,
43 nem de como operou os seus sinais no Egito, e as suas maravilhas no campo de Zoã,
44 convertendo em sangue os seus rios, para que não pudessem beber das suas correntes.
45 Também lhes mandou enxames de moscas que os consumiram, e rãs que os destruíram.
46 Entregou às lagartas as novidades deles, e o fruto do seu trabalho aos gafanhotos.
47 Destruiu as suas vinhas com saraiva, e os seus sicômoros com chuva de pedra.
48 Também entregou à saraiva o gado deles, e aos coriscos os seus rebanhos.
49 E atirou sobre eles o ardor da sua ira, o furor, a indignação, e a angústia, qual companhia de anjos destruidores.
50 Deu livre curso à sua ira; não os poupou da morte, mas entregou a vida deles à pestilência.
51 Feriu todo primogênito no Egito, primícias da força deles nas tendas de Cão.
52 Mas fez sair o seu povo como ovelhas, e os guiou pelo deserto como a um rebanho.
53 Guiou-os com segurança, de sorte que eles não temeram; mas aos seus inimigos, o mar os submergiu.
54 Sim, conduziu-os até a sua fronteira santa, até o monte que a sua destra adquirira.
55 Expulsou as nações de diante deles; e dividindo suas terras por herança, fez habitar em suas tendas as tribos de Israel.
56 Contudo tentaram e provocaram o Deus Altíssimo, e não guardaram os seus testemunhos.
57 Mas tornaram atrás, e portaram-se aleivosamente como seus pais; desviaram-se como um arco traiçoeiro.
58 Pois o provocaram à ira com os seus altos, e o incitaram a zelos com as suas imagens esculpidas.
59 Ao ouvir isso, Deus se indignou, e sobremodo abominou a Israel.
60 Pelo que desamparou o tabernáculo em Siló, a tenda da sua morada entre os homens,
61 dando a sua força ao cativeiro, e a sua glória à mão do inimigo.
62 Entregou o seu povo à espada, e encolerizou-se contra a sua herança.
63 Aos seus mancebos o fogo devorou, e suas donzelas não tiveram cântico nupcial.
64 Os seus sacerdotes caíram à espada, e suas viúvas não fizeram pranto.
65 Então o Senhor despertou como dum sono, como um valente que o vinho excitasse.
66 E fez recuar a golpes os seus adversários; infligiu-lhes eterna ignomínia.
67 Além disso, rejeitou a tenda de José, e não escolheu a tribo de Efraim;
68 antes escolheu a tribo de Judá, o monte Sião, que ele amava.
69 Edificou o seu santuário como os lugares elevados, como a terra que fundou para sempre.
70 Também escolheu a Davi, seu servo, e o tirou dos apriscos das ovelhas;
71 de após as ovelhas e suas crias o trouxe, para apascentar a Jacó, seu povo, e a Israel, sua herança.
72 E ele os apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou com a perícia de suas mãos.


SALMO 79 (78) Elegia sobre a ruína de Jerusalém

1 Ó Deus, as nações invadiram a tua herança; contaminaram o teu santo templo; reduziram Jerusalém a ruínas.
2 Deram os cadáveres dos teus servos como pastos às aves dos céus, e a carne dos teus santos aos animais da terra.
3 Derramaram o sangue deles como água ao redor de Jerusalém, e não houve quem os sepultasse.
4 Somos feitos o opróbrio dos nossos vizinhos, o escárnio e a zombaria dos que estão em redor de nós.
5 Até quando, Senhor? Indignar-te-ás para sempre? Arderá o teu zelo como fogo?
6 Derrama o teu furor sobre as nações que não te conhecem, e sobre os reinos que não invocam o teu nome;
7 porque eles devoraram a Jacó, e assolaram a sua morada.
8 Não te lembres contra nós das iniqüidades de nossos pais; venha depressa ao nosso encontro a tua compaixão, pois estamos muito abatidos.
9 Ajuda-nos, ó Deus da nossa salvação, pela glória do teu nome; livra-nos, e perdoa os nossos pecados, por amor do teu nome.
10 Por que diriam as nações: Onde está o seu Deus? Torne-se manifesta entre as nações, à nossa vista, a vingança do sangue derramado dos teus servos.
11 Chegue à tua presença o gemido dos presos; segundo a grandeza do teu braço, preserva aqueles que estão condenados à morte.
12 E aos nossos vizinhos, deita-lhes no regaço, setuplicadamente, a injúria com que te injuriaram, Senhor.
13 Assim nós, teu povo ovelhas de teu pasto, te louvaremos eternamente; de geração em geração publicaremos os teus louvores.


SALMO 80 (79) Prece pela restauração de Israel

1 Ó pastor de Israel, dá ouvidos; tu, que guias a José como a um rebanho, que estás entronizado sobre os querubins, resplandece.
2 Perante Efraim, Benjamim e Manassés, desperta o teu poder, e vem salvar-nos.
3 Reabilita-nos, ó Deus; faze resplandecer o teu rosto, para que sejamos salvos.
4 Ó Senhor Deus dos exércitos, até quando te indignarás contra a oração do teu povo?
5 Tu os alimentaste com pão de lágrimas, e lhes deste a beber lágrimas em abundância.
6 Tu nos fazes objeto de escárnio entre os nossos vizinhos; e os nossos inimigos zombam de nós entre si.
7 Reabilita-nos, ó Deus dos exércitos; faze resplandecer o teu rosto, para que sejamos salvos.
8 Trouxeste do Egito uma videira; lançaste fora as nações, e a plantaste.
9 Preparaste-lhe lugar; e ela deitou profundas raízes, e encheu a terra.
10 Os montes cobriram-se com a sua sombra, e os cedros de Deus com os seus ramos.
11 Ela estendeu a sua ramagem até o mar, e os seus rebentos até o Rio.
12 Por que lhe derrubaste as cercas, de modo que a vindimam todos os que passam pelo caminho?
13 O javali da selva a devasta, e as feras do campo alimentam-se dela.
14 Ó Deus dos exércitos, volta-te, nós te rogamos; atende do céu, e vê, e visita esta videira,
15 a videira que a tua destra plantou, e o sarmento que fortificaste para ti.
16 Está queimada pelo fogo, está cortada; eles perecem pela repreensão do teu rosto.
17 Seja a tua mão sobre o varão da tua destra, sobre o filho do homem que fortificaste para ti.
18 E não nos afastaremos de ti; vivifica-nos, e nós invocaremos o teu nome.
19 Reabilita-nos, Senhor Deus dos exércitos; faze resplandecer o teu rosto, para que sejamos salvos.


SALMO 81 (80) Aclamação do povo e advertência de Deus

1 Cantai alegremente a Deus, nossa fortaleza; erguei alegres vozes ao Deus de Jacó.
2 Entoai um salmo, e fazei soar o adufe, a suave harpa e o saltério.
3 Tocai a trombeta pela lua nova, pela lua cheia, no dia da nossa festa.
4 Pois isso é um estatuto para Israel, e uma ordenança do Deus de Jacó.
5 Ordenou-o por decreto em José, quando saiu contra a terra do Egito. Ouvi uma voz que não conhecia, dizendo:
6 Livrei da carga o seu ombro; as suas mãos ficaram livres dos cestos.
7 Na angústia clamaste e te livrei; respondi-te no lugar oculto dos trovões; provei-te junto às águas de Meribá.
8 Ouve-me, povo meu, e eu te admoestarei; ó Israel, se me escutasses!
9 não haverá em ti deus estranho, nem te prostrarás ante um deus estrangeiro.
10 Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito; abre bem a tua boca, e eu a encherei.
11 Mas o meu povo não ouviu a minha voz, e Israel não me quis.
12 Pelo que eu os entreguei à obstinação dos seus corações, para que andassem segundo os seus próprios conselhos.
13 Oxalá me escutasse o meu povo! oxalá Israel andasse nos meus caminhos!
14 Em breve eu abateria os seus inimigos, e voltaria a minha mão contra os seus adversários.
15 Os que odeiam ao Senhor o adulariam, e a sorte deles seria eterna.
16 E eu te sustentaria com o trigo mais fino; e com o mel saído da rocha eu te saciaria.


SALMO 82 (81) Contra os maus juízes

1 Deus está na assembléia divina; julga no meio dos deuses:
2 Até quando julgareis injustamente, e tereis respeito às pessoas dos ímpios?
3 Fazei justiça ao pobre e ao órfão; procedei retamente com o aflito e o desamparado.
4 Livrai o pobre e o necessitado, livrai-os das mãos dos ímpios.
5 Eles nada sabem, nem entendem; andam vagueando às escuras; abalam-se todos os fundamentos da terra.
6 Eu disse: Vós sois deuses, e filhos do Altíssimo, todos vós.
7 Todavia, como homens, haveis de morrer e, como qualquer dos príncipes, haveis de cair.
8 Levanta-te, ó Deus, julga a terra; pois a ti pertencem todas as nações.


SALMO 83 (82) Prece contra a conspiração das nações

1 Ó Deus, não guardes silêncio; não te cales nem fiques impassível, ó Deus.
2 Pois eis que teus inimigos se alvoroçam, e os que te odeiam levantam a cabeça.
3 Astutamente formam conselho contra o teu povo, e conspiram contra os teus protegidos.
4 Dizem eles: Vinde, e apaguemo-los para que não sejam nação, nem seja lembrado mais o nome de Israel.
5 Pois à uma se conluiam; aliam-se contra ti
6 as tendas de Edom e os ismaelitas, Moabe e os hagarenos,
7 Gebal, Amom e Amaleque, e a Filístia com os habitantes de tiro.
8 Também a Assíria se ligou a eles; eles são o braço forte dos filhos de Ló.
9 Faze-lhes como fizeste a Midiã, como a Sísera, como a Jabim junto ao rio Quisom,
10 os quais foram destruídos em En-Dor; tornaram-se esterco para a terra.
11 Faze aos seus nobres como a Orebe e a Zeebe; e a todos os seus príncipes como a Zebá e a Zalmuna,
12 que disseram: Tomemos para nós as pastagens de Deus.
13 Deus meu, faze-os como um turbilhão de pó, como a palha diante do vento.
14 Como o fogo queima um bosque, e como a chama incendeia as montanhas,
15 assim persegue-os com a tua tempestade, e assombra-os com o teu furacão.
16 Cobre-lhes o rosto de confusão, de modo que busquem o teu nome, Senhor.
17 Sejam envergonhados e conturbados perpetuamente; sejam confundidos, e pereçam,
18 para que saibam que só tu, cujo nome é o Senhor, és o Altíssimo sobre toda a terra.


SALMO 84 (83) Anseio pela casa de Deus

1 Quão amável são os teus tabernáculos, ó Senhor dos exércitos!
2 A minha alma suspira! sim, desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo.
3 Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde crie os seus filhotes, junto aos teus altares, ó Senhor dos exércitos, Rei meu e Deus meu.
4 Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvar-te-ão continuamente.
5 Bem-aventurados os homens cuja força está em ti, em cujo coração os caminhos altos.
6 Passando pelo vale de Baca, fazem dele um lugar de fontes; e a primeira chuva o cobre de bênçãos.
7 Vão sempre aumentando de força; cada um deles aparece perante Deus em Sião.
8 Senhor Deus dos exércitos, escuta a minha oração; inclina os ouvidos, ó Deus de Jacó!
9 Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.
10 Porque vale mais um dia nos teus átrios do que em outra parte mil. Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas da perversidade.
11 Porquanto o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidão.
12 Ó Senhor dos exércitos, bem-aventurado o homem que em ti põe a sua confiança.


SALMO 85 (84) Súplica em tempo de aflição

1 Mostraste favor, Senhor, à tua terra; fizeste regressar os cativos de Jacó.
2 Perdoaste a iniqüidade do teu povo; cobriste todos os seus pecados.
3 Retraíste toda a tua cólera; refreaste o ardor da tua ira.
4 Restabelece-nos, ó Deus da nossa salvação, e faze cessar a tua indignação contra nós.
5 Estarás para sempre irado contra nós? estenderás a tua ira a todas as gerações?
6 Não tornarás a vivificar-nos, para que o teu povo se regozije em ti?
7 Mostra-nos, Senhor, a tua benignidade, e concede-nos a tua salvação.
8 Escutarei o que Deus, o Senhor, disser; porque falará de paz ao seu povo, e aos seus santos, contanto que não voltem à insensatez.
9 Certamente que a sua salvação está perto daqueles que o temem, para que a glória habite em nossa terra.
10 A benignidade e a fidelidade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram.
11 A fidelidade brota da terra, e a justiça olha desde o céu.
12 O Senhor dará o que é bom, e a nossa terra produzirá o seu fruto.
13 A justiça irá adiante dele, marcando o caminho com as suas pegadas.


SALMO 86 (85) Súplica em tempo de aflição

1 Inclina, Senhor, os teus ouvidos, e ouve-me, porque sou pobre e necessitado.
2 Preserva a minha vida, pois sou piedoso; o Deus meu, salva o teu servo, que em ti confia.
3 Compadece-te de mim, ó Senhor, pois a ti clamo o dia todo.
4 Alegra a alma do teu servo, pois a ti, Senhor, elevo a minha alma.
5 Porque tu, Senhor, és bom, e pronto a perdoar, e abundante em benignidade para com todos os que te invocam.
6 Dá ouvidos, Senhor, à minha oração, e atende à voz das minhas súplicas.
7 No dia da minha angústia clamo a ti, porque tu me respondes.
8 Entre os deuses nenhum há semelhante a ti, Senhor, nem há obras como as tuas.
9 Todas as nações que fizeste virão e se prostrarão diante de ti, Senhor, e glorificarão o teu nome.
10 Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e andarei na tua verdade; dispõe o meu coração para temer o teu nome.
11 Louvar-te-ei, Senhor Deus meu, de todo o meu coração, e glorificarei o teu nome para sempre.
12 Pois grande é a tua benignidade para comigo, e livraste a minha alma das profundezas do Seol.
13 Pois grande é a tua benignidade para comigo, e livraste a minha alma das profundezas do Seol.
14 Ó Deus, os soberbos têm-se levantado contra mim, e um bando de homens violentos procura tirar-me a vida; eles não te puseram diante dos seus olhos.
15 Mas tu, Senhor, és um Deus compassivo e benigno, longânimo, e abundante em graça e em fidelidade.
16 Volta-te para mim, e compadece-te de mim; dá a tua força ao teu servo, e a salva o filho da tua serva.
17 Mostra-me um sinal do teu favor, para que o vejam aqueles que me odeiam, e sejam envergonhados, por me haveres tu, Senhor, ajuntado e confortado.


SALMO 87 (86) Cântico profético sobre Sião - Para descobrir o que está te enrolando e para dar disposição e ânimo.

1 O fundamento dela está nos montes santos.
2 O Senhor ama as portas de Sião mais do que todas as habitações de Jacó.
3 Coisas gloriosas se dizem de ti, ó cidade de Deus.
4 Farei menção de Raabe e de Babilônia dentre os que me conhecem; eis que da Filístia, e de Tiro, e da Etiópia, se dirá: Este nasceu ali.
5 Sim, de Sião se dirá: Este e aquele nasceram ali; e o próprio Altíssimo a estabelecerá.
6 O Senhor, ao registrar os povos, dirá: Este nasceu ali.
7 Tanto os cantores como os que tocam instrumentos dirão: Todas as minhas fontes estão em ti.


SALMO 88 (87) Súplica em doença grave

1 Ó Senhor, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti.
2 Chegue à tua presença a minha oração, inclina os teus ouvidos ao meu clamor;
3 porque a minha alma está cheia de angústias, e a minha vida se aproxima do Seol.
4 Já estou contado com os que descem à cova; estou como homem sem forças,
5 atirado entre os finados; como os mortos que jazem na sepultura, dos quais já não te lembras, e que são desamparados da tua mão.
6 Puseste-me na cova mais profunda, em lugares escuros, nas profundezas.
7 Sobre mim pesa a tua cólera; tu me esmagaste com todas as tuas ondas.
8 Apartaste de mim os meus conhecidos, fizeste-me abominável para eles; estou encerrado e não posso sair.
9 Os meus olhos desfalecem por causa da aflição. Clamo a ti todo dia, Senhor, estendendo-te as minhas mãos.
10 Mostrarás tu maravilhas aos mortos? ou levantam-se os mortos para te louvar?
11 Será anunciada a tua benignidade na sepultura, ou a tua fidelidade no Abadom?
12 Serão conhecidas nas trevas as tuas maravilhas, e a tua justiça na terra do esquecimento?
13 Eu, porém, Senhor, clamo a ti; de madrugada a minha oração chega à tua presença.
14 Senhor, por que me rejeitas? por que escondes de mim a tua face?
15 Estou aflito, e prestes a morrer desde a minha mocidade; sofro os teus terrores, estou desamparado.
16 Sobre mim tem passado a tua ardente indignação; os teus terrores deram cabo de mim.
17 Como águas me rodeiam todo o dia; cercam-me todos juntos.
18 Aparte de mim amigos e companheiros; os meus conhecidos se acham nas trevas.


SALMO 89 (88) Promessa messiânica a Davi

1 Cantarei para sempre as benignidades do Senhor; com a minha boca proclamarei a todas as gerações a tua fidelidade.
2 Digo, pois: A tua benignidade será renovada para sempre; tu confirmarás a tua fidelidade até nos céus, dizendo:
3 Fiz um pacto com o meu escolhido; jurei ao meu servo Davi:
4 Estabelecerei para sempre a tua descendência, e firmarei o teu trono por todas as gerações.
5 Os céus louvarão as tuas maravilhas, ó Senhor, e a tua fidelidade na assembléia dos santos.
6 Pois quem no firmamento se pode igualar ao Senhor? Quem entre os filhos de Deus é semelhante ao Senhor,
7 um Deus sobremodo tremendo na assembléia dos santos, e temível mais do que todos os que estão ao seu redor?
8 Ó Senhor, Deus dos exércitos, quem é poderoso como tu, Senhor, com a tua fidelidade ao redor de ti?
9 Tu dominas o ímpio do mar; quando as suas ondas se levantam tu as fazes aquietar.
10 Tu abateste a Raabe como se fora ferida de morte; com o teu braço poderoso espalhaste os teus inimigos.
11 São teus os céus, e tua é a terra; o mundo e a sua plenitude, tu os fundaste.
12 O norte e o sul, tu os criaste; o Tabor e o Hermom regozijam-se em teu nome.
13 Tu tens um braço poderoso; forte é a tua mão, e elevado a tua destra.
14 Justiça e juízo são a base do teu trono; benignidade e verdade vão adiante de ti.
15 Bem-aventurado o povo que conhece o som festivo, que anda, ó Senhor, na luz da tua face,
16 que se regozija em teu nome todo o dia, e na tua justiça é exaltado.
17 Pois tu és a glória da sua força; e pelo teu favor será exaltado o nosso poder.
18 Porque o Senhor é o nosso escudo, e o Santo de Israel é o nosso Rei.
19 Naquele tempo falaste em visão ao teu santo, e disseste: Coloquei a coroa num homem poderoso; exaltei um escolhido dentre o povo.
20 Achei Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi.
21 A minha mão será sempre com ele, e o meu braço o fortalecerá.
22 O inimigo não o surpreenderá, nem o filho da perversidade o afligirá.
23 Eu esmagarei diante dele os seus adversários, e aos que o odeiam abaterei.
24 A minha fidelidade, porém, e a minha benignidade estarão com ele, e em meu nome será exaltado o seu poder.
25 Porei a sua mão sobre o mar, e a sua destra sobre os rios.
26 Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus, e a rocha da minha salvação.
27 Também lhe darei o lugar de primogênito; fá-lo-ei o mais excelso dos reis da terra.
28 Conservar-lhe-ei para sempre a minha benignidade, e o meu pacto com ele ficará firme.
29 Farei que subsista para sempre a sua descendência, e o seu trono como os dias dos céus.
30 Se os seus filhos deixarem a minha lei, e não andarem nas minhas ordenanças,
31 se profanarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos,
32 então visitarei com vara a sua transgressão, e com açoites a sua iniqüidade.
33 Mas não lhe retirarei totalmente a minha benignidade, nem faltarei com a minha fidelidade.
34 Não violarei o meu pacto, nem alterarei o que saiu dos meus lábios.
35 Uma vez para sempre jurei por minha santidade; não mentirei a Davi.
36 A sua descendência subsistirá para sempre, e o seu trono será como o sol diante de mim;
37 será estabelecido para sempre como a lua, e ficará firme enquanto o céu durar.
38 Mas tu o repudiaste e rejeitaste, tu estás indignado contra o teu ungido.
39 Desprezaste o pacto feito com teu servo; profanaste a sua coroa, arrojando-a por terra.
40 Derribaste todos os seus muros; arruinaste as suas fortificações.
41 Todos os que passam pelo caminho o despojam; tornou-se objeto de opróbrio para os seus vizinhos.
42 Exaltaste a destra dos seus adversários; fizeste com que todos os seus inimigos se regozijassem.
43 Embotaste o fio da sua espada, e não o sustentaste na peleja;
44 fizeste cessar o seu esplendor, e arrojaste por terra o seu trono;
45 abreviaste os dias da sua mocidade; cobriste-o de vergonha.
46 Até quando, Senhor? Esconder-te-ás para sempre? Até quando arderá a tua ira como fogo?
47 Lembra-te de quão breves são os meus dias; de quão efêmeros criaste todos os filhos dos homens!
48 Que homem há que viva e não veja a morte? ou que se livre do poder do Seol?
49 Senhor, onde estão as tuas antigas benignidades, que juraste a Davi na tua fidelidade?
50 Lembre-te, Senhor, do opróbrio dos teus servos; e de como trago no meu peito os insultos de todos os povos poderosos,
51 com que os teus inimigos, ó Senhor, têm difamado, com que têm difamado os passos do teu ungido.


SALMO 90 (89) Brevidade da vida - Para ter apoio de pessoas influentes, combater adversidades, proteger de violência, erro e mentira.

1 Senhor, tu tens sido o nosso refúgio de geração em geração.
2 Antes que nascessem os montes, ou que tivesses formado a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade tu és Deus.
3 Tu reduzes o homem ao pó, e dizes: Voltai, filhos dos homens!
4 Porque mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem que passou, e como uma vigília da noite.
5 Tu os levas como por uma torrente; são como um sono; de manhã são como a erva que cresce;
6 de manhã cresce e floresce; à tarde corta-se e seca.
7 Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos conturbados.
8 Diante de ti puseste as nossas iniqüidades, à luz do teu rosto os nossos pecados ocultos.
9 Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; acabam-se os nossos anos como um suspiro.
10 A duração da nossa vida é de setenta anos; e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, a medida deles é canseira e enfado; pois passa rapidamente, e nós voamos.
11 Quem conhece o poder da tua ira? e a tua cólera, segundo o temor que te é devido?
12 Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios.
13 Volta-te para nós, Senhor! Até quando? Tem compaixão dos teus servos.
14 Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que nos regozijemos e nos alegremos todos os nossos dias.
15 Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal.
16 Apareça a tua obra aos teus servos, e a tua glória sobre seus filhos.
17 Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.


SALMO 91 (90) Sob a proteção de Deus - Para sentir a presença de Deus.

1 Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Todo-Poderoso descansará.
2 Direi do Senhor: Ele é o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio.
3 Porque ele te livra do laço do passarinho, e da peste perniciosa.
4 Ele te cobre com as suas penas, e debaixo das suas asas encontras refúgio; a sua verdade é escudo e broquel.
5 Não temerás os terrores da noite, nem a seta que voe de dia,
6 nem peste que anda na escuridão, nem mortandade que assole ao meio-dia.
7 Mil poderão cair ao teu lado, e dez mil à tua direita; mas tu não serás atingido.
8 Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios.
9 Porquanto fizeste do Senhor o teu refúgio, e do Altíssimo a tua habitação,
10 nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
11 Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
12 Eles te susterão nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra.
13 Pisarás o leão e a áspide; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.
14 Pois que tanto me amou, eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro, porque ele conhece o meu nome.
15 Quando ele me invocar, eu lhe responderei; estarei com ele na angústia, livrá-lo-ei, e o honrarei.
16 Com longura de dias fartá-lo-ei, e lhe mostrarei a minha salvação.


SALMO 92 (91) Hino de gratidão a Deus

1 Bom é render graças ao Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo,
2 anunciar de manhã a tua benignidade, e à noite a tua fidelidade,
3 sobre um instrumento de dez cordas, e sobre o saltério, ao som solene da harpa.
4 Pois me alegraste, Senhor, pelos teus feitos; exultarei nas obras das tuas mãos.
5 Quão grandes são, ó Senhor, as tuas obras! quão profundos são os teus pensamentos!
6 O homem néscio não sabe, nem o insensato entende isto:
7 quando os ímpios brotam como a erva, e florescem todos os que praticam a iniqüidade, é para serem destruídos para sempre.
8 Mas tu, Senhor, estás nas alturas para sempre.
9 Pois eis que os teus inimigos, Senhor, eis que os teus inimigos perecerão; serão dispersos todos os que praticam a iniqüidade.
10 Mas tens exaltado o meu poder, como o do boi selvagem; fui ungido com óleo fresco.
11 Os meus olhos já viram o que é feito dos que me espreitam, e os meus ouvidos já ouviram o que sucedeu aos malfeitores que se levantam contra mim.
12 Os justos florescerão como a palmeira, crescerão como o cedro no Líbano.
13 Estão plantados na casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus.
14 Na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes,
15 para proclamarem que o Senhor é reto. Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça.


SALMO 93 (92) Louvor á realeza de Deus - Para conseguir encontrar objetos desaparecidos.

1 O Senhor reina; está vestido de majestade. O Senhor se revestiu, cingiu-se de fortaleza; o mundo também está estabelecido, de modo que não pode ser abalado.
2 O teu trono está firme desde a Antigüidade; desde a eternidade tu existes.
3 Os rios levantaram, ó Senhor, os rios levantaram o seu ruído, os rios levantam o seu fragor.
4 Mais que o ruído das grandes águas, mais que as vagas estrondosas do mar, poderoso é o Senhor nas alturas.
5 Mui fiéis são os teus testemunhos; a santidade convém à tua casa, Senhor, para sempre.


SALMO 94 (93) Apelo para a justiça de Deus - Para obter benção divina para as colheitas e agradecer a Deus.

1 Ó Senhor, Deus da vingança, ó Deus da vingança, resplandece!
2 Exalta-te, ó juiz da terra! dá aos soberbos o que merecem.
3 Até quando os ímpios, Senhor, até quando os ímpios exultarão?
4 Até quando falarão, dizendo coisas arrogantes, e se gloriarão todos os que praticam a iniqüidade?
5 Esmagam o teu povo, ó Senhor, e afligem a tua herança.
6 Matam a viúva e o estrangeiro, e tiram a vida ao órfão.
7 E dizem: O Senhor não vê; o Deus de Jacó não o percebe.
8 Atendei, ó néscios, dentre o povo; e vós, insensatos, quando haveis de ser sábios?
9 Aquele que fez ouvido, não ouvirá? ou aquele que formou o olho, não verá?
10 Porventura aquele que disciplina as nações, não corrigirá? Aquele que instrui o homem no conhecimento,
11 o Senhor, conhece os pensamentos do homem, que são vaidade.
12 Bem-aventurado é o homem a quem tu repreendes, ó Senhor, e a quem ensinas a tua lei,
13 para lhe dares descanso dos dias da adversidade, até que se abra uma cova para o ímpio.
14 Pois o Senhor não rejeitará o seu povo, nem desamparará a sua herança.
15 Mas o juízo voltará a ser feito com justiça, e hão de segui-lo todos os retos de coração.
16 Quem se levantará por mim contra os malfeitores? quem se porá ao meu lado contra os que praticam a iniqüidade?
17 Se o Senhor não tivesse sido o meu auxílio, já a minha alma estaria habitando no lugar do silêncio.
18 Quando eu disse: O meu pé resvala; a tua benignidade, Senhor, me susteve.
19 Quando os cuidados do meu coração se multiplicam, as tuas consolações recreiam a minha alma.
20 Pode acaso associar-se contigo o trono de iniqüidade, que forja o mal tendo a lei por pretexto?
21 Acorrem em tropel contra a vida do justo, e condenam o sangue inocente.
22 Mas o Senhor tem sido o meu alto retiro, e o meu Deus a rocha do meu alto retiro, e o meu Deus a rocha do meu refúgio.
23 Ele fará recair sobre eles a sua própria iniqüidade, e os destruirá na sua própria malícia; o Senhor nosso Deus os destruirá.


SALMO 95 (94) Exortação ao Louvor de Deus

1 Vinde, cantemos alegremente ao Senhor, cantemos com júbilo à rocha da nossa salvação.
2 Apresentemo-nos diante dele com ações de graças, e celebremo-lo com salmos de louvor.
3 Porque o Senhor é Deus grande, e Rei grande acima de todos os deuses.
4 Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes são suas.
5 Seu é o mar, pois ele o fez, e as suas mãos formaram a serra terra seca.
6 Oh, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor, que nos criou.
7 Porque ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas que ele conduz. Oxalá que hoje ouvísseis a sua voz:
8 Não endureçais o vosso coração como em Meribá, como no dia de Massá no deserto,
9 quando vossos pais me tentaram, me provaram e viram a minha obra.
10 Durante quarenta anos estive irritado com aquela geração, e disse: É um povo que erra de coração, e não conhece os meus caminhos;
11 por isso jurei na minha ira: Eles não entrarão no meu descanso.


SALMO 96 (95) Louvor á glória e majestade de Deus

1 Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, todos os moradores da terra.
2 Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome; anunciai de dia em dia a sua salvação.
3 Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos as suas maravilhas.
4 Porque grande é o Senhor, e digno de ser louvado; ele é mais temível do que todos os deuses.
5 Porque todos os deuses dos povos são ídolos; mas o Senhor fez os céus.
6 Glória e majestade estão diante dele, força e formosura no seu santuário.
7 Tributai ao Senhor, ó famílias dos povos, tributai ao Senhor glória e força.
8 Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome; trazei oferendas, e entrai nos seus átrios.
9 Adorai ao Senhor vestidos de trajes santos; tremei diante dele, todos os habitantes da terra.
10 Dizei entre as nações: O Senhor reina; ele firmou o mundo, de modo que não pode ser abalado. Ele julgará os povos com retidão.
11 Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra; brame o mar e a sua plenitude.
12 Exulte o campo, e tudo o que nele há; então cantarão de júbilo todas as árvores do bosque
13 diante do Senhor, porque ele vem, porque vem julgar a terra: julgará o mundo com justiça e os povos com a sua fidelidade.


SALMO 97 (96) Louvor á soberania de Deus

Para conquistar amizades e conseguir reconciliação conjugal.
1 O Senhor reina, regozije-se a terra; alegrem-se as numerosas ilhas.
2 Nuvens e escuridão estão ao redor dele; justiça e eqüidade são a base do seu trono.
3 Adiante dele vai um fogo que abrasa os seus inimigos em redor.
4 Os seus relâmpagos alumiam o mundo; a terra os vê e treme.
5 Os montes, como cerca, se derretem na presença do Senhor, na presença do Senhor de toda a terra.
6 Os céus anunciam a sua justiça, e todos os povos vêem a sua glória.
7 Confundidos são todos os que servem imagens esculpidas, que se gloriam de ídolos; prostrai-vos diante dele, todos os deuses.
8 Sião ouve e se alegra, e regozijam-se as filhas de Judá por causa dos teus juízos, Senhor.
9 Pois tu, Senhor, és o Altíssimo sobre toda a terra; tu és sobremodo exaltado acima de todos os deuses.
10 O Senhor ama aos que odeiam o mal; ele preserva as almas dos seus santos, ele os livra das mãos dos ímpios.
11 A luz é semeada para o justo, e a alegria para os retos de coração.
12 Alegrai-vos, ó justos, no Senhor, e rendei graças ao seu santo nome.



SALMO 98 (97) Louvor pelas maravilhas de Deus

1 Cantai ao Senhor um cântico novo, porque ele tem feito maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a vitória.
2 O Senhor fez notória a sua salvação, manifestou a sua justiça perante os olhos das nações.
3 Lembrou-se da sua misericórdia e da sua fidelidade para com a casa de Israel; todas as extremidades da terra viram a salvação do nosso Deus.
4 Celebrai com júbilo ao Senhor, todos os habitantes da terra; dai brados de alegria, regozijai-vos, e cantai louvores.
5 Louvai ao Senhor com a harpa; com a harpa e a voz de canto.
6 Com trombetas, e ao som de buzinas, exultai diante do Rei, o Senhor.
7 Brame o mar e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam;
8 batam palmas os rios; à uma regozijem-se os montes
9 diante do Senhor, porque vem julgar a terra; com justiça julgará o mundo, e os povos com eqüidade.


SALMO 99 (98) Louvor á santidade de Deus

1 O Senhor reina, tremam os povos; ele está entronizado sobre os querubins, estremeça a terra.
2 O Senhor é grande em Sião, e exaltado acima de todos os povos.
3 Louvem o teu nome, grande e tremendo; pois é santo.
4 És Rei poderoso que amas a justiça; estabeleces a eqüidade, executas juízo e justiça em Jacó.
5 Exaltai o Senhor nosso Deus, e prostrai-vos diante do escabelo de seus pés; porque ele é santo.
6 Moisés e Arão entre os seus sacerdotes, e Samuel entre os que invocavam o seu nome, clamavam ao Senhor, e ele os ouvia.
7 Na coluna de nuvem lhes falava; eles guardavam os seus testemunhos, e os estatutos que lhes dera.
8 Tu os ouviste, Senhor nosso Deus; tu foste para eles um Deus perdoador, embora vingador dos seus atos.
9 Exaltai o Senhor nosso Deus e adorai-o no seu santo monte, porque o Senhor nosso Deus é santo.


SALMO 100 (99) Hino de ingresso ao templo

1 Celebrai com júbilo ao Senhor, todos os habitantes da terra.
2 Servi ao Senhor com alegria, e apresentai-vos a ele com cântico.
3 Sabei que o Senhor é Deus! Foi ele quem nos fez, e somos dele; somos o seu povo e ovelhas do seu pasto.
4 Entrai pelas suas portas com ação de graças, e em seus átrios com louvor; dai-lhe graças e bendizei o seu nome.
5 Porque o Senhor é bom; a sua benignidade dura para sempre, e a sua fidelidade de geração em geração.
6 não levanteis ao alto a vossa fronte, nem faleis com arrogância.
7 Porque nem do oriente, nem do ocidente, nem do deserto vem a exaltação.
8 Mas Deus é o que julga; a um abate, e a outro exalta.
9 Porque na mão do Senhor há um cálice, cujo vinho espuma, cheio de mistura, do qual ele dá a beber; certamente todos os ímpios da terra sorverão e beberão as suas fezes.
10 Mas, quanto a mim, exultarei para sempre, cantarei louvores ao Deus de Jacó.
11 E quebrantarei todas as forças dos ímpios, mas as forças dos justos serão exaltadas.  

 

 borboletarosa Salmos 01 ao 50
borboletarosa Salmos 101 ao 150